quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Informe #082

Cometa C/2023 P1 (Nishimura)

Esse objeto foi descoberto por meio de imagens obtidas em 11 de agosto de 2023 pelo observador japonês Hideo Hishimura (Kakegawa, Japão). Na ocasião o brilho foi avaliado na 11ª magnitude. As informações preliminares sobre o objeto foram publicadas no website PCCP com a designação HN00003. Demais observadores relataram que o brilho do objeto já se situava próximo da 10ª magnitude. Em Florianópolis/SC tentamos detectar esse cometa nas manhãs de 14 e 15 de agosto quando o objeto se situava nas proximidades da estrela zeta Geminorum, momentos antes de o Sol nascer. No Brasil, o cometa foi registrado positivamente pelo observador José G. de S. Aguiar (Campinas/SP) no amanhecer do dia 15 de agosto quando o brilho foi avaliado em magnitude 10,8.
Segundo as efemérides do Minor Planet Center (MPC-UAI) o cometa deve atingir um máximo brilho de 3ª magnitude por ocasião da sua passagem periélica em 17 de setembro de 2023. Já os cálculos de Yoshida sugerem que o brilho possa alcançar a 2ª magnitude na passagem periélica. Gideon van Buitenen inseriu um provável efeito de espalhamento de brilho relacionado ao ângulo de fase, mesmo assim o máximo brilho seria similar à previsão de Yoshida.
Independente desses cenários, o cometa deve se manter sempre numa baixa elongação em relação ao Sol durante a segunda quinzena de agosto e ao longo do mês de setembro. Portanto, a não ser que o astro venha a apresentar algum salto de brilho ou mesmo exibir uma brilhante cauda de poeira, o observador não deve se deixar levar apenas pelo valor calculado da magnitude, pois o cometa sempre se encontrará mergulhado nas luzes do crepúsculo.
Até 26 de agosto ele está disponível no céu antes do crepúsculo náutico situado na constelação de Gêmeos quando seu brilho deve aumentar da 10ª para a 9ª magnitude, segundo efemérides do MPC.
Em 27 de agosto ele ingressa na constelação de Câncer, transitando a parte centro-norte dessa constelação até 4 de setembro. Nesse interim, seu brilho aumenta da 9ª para a 7ª magnitude e já dificulta sua observação nas regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil. Observadores situados na parte norte das regiões norte e nordeste do Brasil ainda poderão acompanhar o cometa antes do Sol nascer durante a primeira semana de setembro quando o cometa já transita a parte ocidental da constelação de Leão enquanto seu brilho passa da 7ª para a 6ª magnitude.
Em 12 de setembro de 2023 ele passa mais próximo da Terra numa distância de 0,84 ua (~127 milhões de km). Nessa ocasião ele se situa próximo da estrela delta Leonis, numa elongação de 15 graus do Sol, de modo que só está disponível no céu durante o dia.
Em 17 de setembro de 2023 o cometa passa pelo periélio numa distância de apenas 0,22 ua do Sol (~33 milhões de km). Nessa ocasião sua elongação é de apenas 12 graus em relação ao Sol, situado na constelação de Virgem. Mesmo os observadores do norte e nordeste do Brasil podem tentar detectá-lo imediatamente após o pôr-do-sol, porém o astro está mergulhado nas luzes do crepúsculo vespertino e possivelmente brilhando na 3ª magnitude.
Durante a terceira semana de setembro o cometa aumenta sua elongação em relação ao Sol, porém seu brilho diminui rapidamente.
Tentativas de observá-lo imediatamente após o pôr-do-sol podem ser feitas nas seguintes datas:


Atualizado em 22 ago 2023.

Mais informações no websitehttp://www.rea-brasil.org/cometas/2023p1.htm 





terça-feira, 25 de julho de 2023

Informe #081

300 registros visuais em 2023

Prezados colegas,

Neste mês de julho de 2023 a Comissão de Cometas/UBA e Secção de Cometas/REA ultrapassou a marca de 300 (trezentos) registros visuais recebidos e feitos no Brasil no presente ano. Assim, nos meses de janeiro a julho de 2023, recebemos registros visuais dos seguintes observadores: Alexandre Amorim, Alexandre Loureiro, Antônio Martini Jr, Frederico Quintão, José Aguiar, Lucas Camargo da Silva, Marco Goiato e Willian Souza. Neste ano 17 cometas já foram observados e o cometa com mais registros até o momento continua sendo o C/2022 E3 (ZTF) seguido pelo C/2017 K2 (Pan-STARRS), embora ainda estejamos na temporada de visibilidade do C/2021 T4 (Lemmon).
Também recebemos oito imagens do C/2022 E3 (ZTF), uma imagem do C/2020 K1 (Pan-STARRS) e uma foto do C/2021 T4 (Lemmon) obtidas por Geovandro Nobre, Heliomárzio Moreira e Luiz Araújo.

Para saber mais sobre esses registros sugerimos acessar o website:

http://www.rea-brasil.org/cometas/observacoes.htm.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Informe #080

Cometa 12P/Pons-Brooks em outburst

Esse cometa periódico da família do Halley tem seu periélio calculado para o próximo ano e deve atingir um máximo brilho de magnitude 4,4 em abril de 2024.
Na passagem de 1884 ele foi observado no Brasil por Luís Cruls (IORJ) e por José Brazilício de Souza (Desterro/SC) quando atingiu um brilho de 3ª magnitude.
O retorno seguinte ao periélio foi em 1954 e na atual aparição o cometa foi detectado pelo Lowell Discovery Telescope (Arizona,EUA) em 10 de junho de 2020 quando seu brilho foi medido na 23ª magnitude. Desde então ele é acompanhado por diversos observadores.
Durante a primeira quinzena de julho de 2023 seu brilho seguia as efemérides de forma regular em torno da 17ª magnitude.
No entanto, observações feitas em 20 de julho de 2023 indicaram que houve um significativo salto de brilho (outburst) da ordem de 5 magnitudes. Observadores visuais conseguiram detectar o cometa brilhando em torno de magnitude 11,5 porém com aspecto pontual, de modo que era possível discerni-lo por meio de instrumentos com abertura superior a 90 milímetros em céus limpos.
Elek Tamás (Observatório de Harsona, Hungria) foi o primeiro a detectar o outburst.
No website do COBS também havia o registro visual de Piotr Guzik (Polônia) apontando para o brilho de magnitude 11,4 e usando binóculo 25x100.
François Kugel realizou astrofotometria e disponibilizou seus registros no website do LESIA/Observatório de Paris.

Em julho de 2023 o Cometa 12P/Pons-Brooks se encontrava a 3,89 ua (581 milhões km) do Sol e 3,57 ua (534 milhões km) da Terra.
Ele estava disponível na constelação do Dragão, cerca de 5 graus a nordeste de gamma Draconis, devendo se situar cerca de 1 grau de ksi Draconis no início de agosto. Essa posição é favorável aos observadores do norte e nordeste do Brasil. Para as demais regiões do Brasil, a altura do cometa não ultrapassa 20 graus mesmo durante sua passagem meridiana.

Atualização em 6 out 2023:

Em 5 de outubro de 2023 diversos observadores detectaram um novo outburst desse cometa, sendo avaliado entre as magnitudes 11,5 e 12,0.
Ao longo do mês de outubro de 2023 o cometa diminui sua distância à Terra de 3,06 ua (458 milhões km) para 2,88 ua (431 milhões km). No mesmo intervalo sua distância ao Sol diminui de 3,04 ua (454 milhões km) para 2,75 ua (411 milhões km).
Em outubro o cometa é visível imediatamente após o pôr-do-sol, nas proximidades da estrela iota Herculis, cenário favorável ao hemisfério norte ou aos estados brasileiros situados mais ao norte.

Atualização em 15 nov 2023:

Em 14 de novembro de 2023 diversos observadores detectaram outro outburst significativo desse cometa, sendo avaliado entre a 9ª e 10ª magnitude. Curiosamente esses valores são consistentes com os parâmetros fotométricos H0 = 4 e n = 3,2 calculados em 2020 por Daniel Green (apud Meyer, 2011, ICQ 33, 115-127).
Ao longo da segunda quinzena de novembro de 2023 o cometa diminui sua distância à Terra de 2,75 ua (412 milhões km) para 2,59 ua (388 milhões km). No mesmo intervalo sua distância ao Sol diminui de 2,57 ua (385 milhões km) para 2,38 ua (356 milhões km).
Nesse ínterim o cometa continua visível imediatamente após o pôr-do-sol, nas proximidades da estrela theta Herculis, se deslocando para a constelação de Lira nas proximidades de Vega, cenário favorável ao hemisfério norte ou aos estados brasileiros situados mais ao norte.

Alexandre Amorim
Comissão de Cometas/UBA
Secção de Cometas/REA

terça-feira, 18 de julho de 2023

Informe #079

Boletim Ouranos, ano LIII, nº 2

Prezados colegas,

Já está disponível para download a mais recente edição do Boletim Ouranos - um dos principais canais de comunicação da União Brasileira de Astronomia. O link do arquivo PDF está no website:

https://uba.ong.br/wp-content/uploads/2023/07/Boletim-Ouranos_2_2023.pdf

A Comissão de Cometas colaborou com 2 (dois) artigos, a saber:

Informativo da Comissão de Cometas, pp. 8-14, por Alexandre Amorim

A Passagem do Cometa 81P/Wild em 2022, pp. 16-19, por José Guilherme de Souza Aguiar.

Um índice com a relação de artigos publicados pela Comissão de Cometas/UBA nos anos de 2020 a 2022 está disponível no link: http://rea-brasil.org/cometas/indice.pdf.

Tenham todos uma boa leitura!

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Informe #078

11 mil observações visuais

Com o recebimento de 44 registros visuais feitos pelo colaborador José Guilherme de Souza Aguiar entre 23 de maio e 21 de junho de 2023 ultrapassamos a marca de 11 mil observações visuais no Banco de Dados da Comissão de Cometas/UBA & Secção de Cometas/REA.

Assim, a observação visual de n° 11000 do nosso banco de dados foi feita por José Aguiar (Campinas/SP) quando estimou o Cometa 237P/LINEAR em magnitude 12,2 no dia 12 de junho de 2023.
Vale lembrar também que no Quadro de Observadores, esse mesmo colaborador atingiu a marca de 150 (cento e cinquenta) cometas visualizados e 2.500 (dois mil e quinhentos) registros visuais de cometas.

Nesse momento, o total acumulado é de 11.013 registros visuais.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Informe #077

A primeira detecção da volta do Halley na passagem de 1985-6

No 16 de outubro de 1982 o Cometa 1P/Halley foi redescoberto pelos astrônomos David Jewitt e G. Edward Danielson do Observatório de Monte Palomar (EUA) sendo o primeiro registro de seu retorno com auge cerca de 3 anos depois.


Com os recursos tecnológicos disponíveis atualmente, é possível localizar o Halley ainda na periferia do Sistema. Obviamente, sua observação será restrita a equipamentos muito potentes, aparecendo como um pequeno ponto difuso, totalmente sem cauda.
Como informamos no Anuário Astronômico Catarinense 2023, página 190, é provável que grandes telescópios, incluindo o HST ou mesmo o JWST, possam registrar o Cometa 1P/Halley na época do seu afélio. E nesta data teremos o

4º Encontro Brasileiro de Observadores de Cometas

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023
IFSC-Florianópolis

Inscrição e submissão de trabalhos (inclusive virtuais):

Uma realização: NEOA-JBS, IFSC-Florianópolis e Cometas/UBA.

terça-feira, 13 de junho de 2023

Informe #076

O pânico, a histeria e o oportunismo em 1910

Pílulas anti-cometa, máscaras de gás, guarda-chuvas protetores de cometas e até submarinos para se proteger no fundo do mar durante a passagem do Halley foram alguns dos itens vendidos pelos oportunistas em 1910 por causa de uma notícia distorcida sobre supostos gases tóxicos emitidos pelo cometa.  Poderíamos estar seguros quanto a esse tipo de problema para as futuras passagens do Halley, mas o sensacionalismo, a falta de ética e de profissionalismo das mídias, a sensação de impunidade e o descaso na divulgação científica nos faz ficar temerosos sobre o que acontecerá em 2061.  Precisamos ensinar as novas gerações a se precaver de novas histerias.


O Halley iniciará mais uma longa jornada em direção ao Sol a partir de dezembro deste ano.

Venha começar a contagem aprendendo mais sobre os cometas, como observá-los e preparando novas gerações para a sua próxima vinda.

4º Encontro Brasileiro de Observadores de Cometas

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023
IFSC-Florianópolis

Inscrição e submissão de trabalhos (inclusive virtuais):

Uma realização: NEOA-JBS, IFSC-Florianópolis e Cometas/UBA.